'Não foi bala perdida. Foi assassinato', diz pai de menina morta a tiro - Camaçari Aquitem - O seu portal de notícias de Camaçari

'Não foi bala perdida. Foi assassinato', diz pai de menina morta a tiro

O pai da menina Vanessa Vitória dos Santos, morta com um tiro na cabeça aos 10 anos, na tarde desta terça-feira, durante um confronto na Favela Camarista Méier, que integra o Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, está no Insituto Médico Legal (IML), na manhã desta quarta, para fazer a liberação do corpo. Leandro Monteiro de Matos, de 39 anos, voltou a acusar PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade e classificou a morte como um assassinato:
— Não foi bala perdida. Foi assassinato. Tem testemunhas. Eu agora quero acompanhar a investigação e ver quem fez isso punido, preso, expulso (da Polícia Militar). Sei que é difícil de acontecer, vejo os outros casos, que acabam caindo no esquecimento. Mas vou me esforçar para que isso não aconteça com a milha filha. Se tiver que entrar com uma ação na Justiça contra o estado, entro.
Leandro reforça a versão de outros parentes da menina de que os policiais da UPP invadiram a casa onde Vanessa morava. Ele disse, ainda, que está se sentindo abandonado por parte das autoridades:
— Não tem ninguém dando suporte. Quem está com a gente são os amigos. São eles que estão dando força, nos ajudando a tomar providências.
Leandro é separado da mãe de Vanessa, Adriana Maria dos Santos. Ele disse que não estava conseguindo ver a filha com muita frequência, por estar sempre à procura de emprego e bicos — Leandro trabalha em obras.
Vanessa ia pegar um chinelo quando foi atingida 
— Moro longe. Mas minha relação com minha filha era maravilhosa. Não conseguia vê-la todos os finais de semana, mas a maioria deles tinha minha filha sempre comigo. A última vez que estive com ela foi na segunda-feira (desta semana). Fui à casa do meu irmão, que fica perto da casa da Vanessa, e aproveitei para dar um abraço na minha filha — contou, muito emocionado.
A investigação da morte está a cargo da Divisão de Homicídios (DH). 
Tiro dentro de casa
Vanessa estava em casa, na Rua Maranhão, quando foi atingida por um tiro na cabeça. Parentes dela afirmam que policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) 
amarista-Méier invadiram a residência para atirar contra bandidos. A menina havia acabado de chegar da escola.
— Foi muito rápido. A Vanessa foi pegar o chinelo quando, do nada, começou o tiroteio. Me abaixei e não vi mais a menina. Depois que os disparos cessaram, encontrei com ela ainda viva. Ela levou um tiro na cabeça, que entrou pela testa e saiu pela nunca. O impacto foi tão forte que ela parou do lado de fora de casa — contou a madrinha da menina, Neide Gomes.
Menina deixou escola após ensaio para festa junina
A última atividade de Vanessa na Escola municipal Eduardo de Macedo Soares, onde cursava o 5º ano, foi o ensaio para a festa junina que seria realizada no próximo sábado. Ela se despediu de todos e seguiu para sua casa.
— A inspetora que dá a saída está muito abalada. Foi a última pessoa (da escola) que falou com ela — contou o diretor da unidade, Carlos Antônio de Matos. Ele lembrou de Vanessa como uma boa aluna, de comportamento tranquilo:
— Era uma menina muito tranquila, boazinha, educada, colaboradora, com a família presente na escola. A gente lamenta muito. Muito jovem, indo embora por conta da violência.
Carlos Antônio comentou como a rotina de violência afeta as atividades na escola:
— Normalmente, quando está tendo conflito na comunidade, a frequência é baixa.Claro que eles (os alunos) chegam mais agitados. É complcado, os professores sabem que é um dia em que a disciplina é mais difícil, porque eles (os alunos) ficam preocupados com os familiares. Segundo ele, a violência acaba interferindo na aprendizagem das crianças.
— É difícil uma criança que tenha uma vida complicada no sentido de violência constante ao seu entorno aprender com facilidade. A gente tenta acolher, acarinhar, mas a gente sabe que é difícil — disse. Nesta quarta, não haverá atividades no colégio, assim como em outras seis unidades de educação da rede municipal no Complexo do Lins — duas escolas, três creches e um Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI). Ao todos, os espaços atendem a 1.736. A assessoria das UPPs informou em nota, nesta quarta, que "segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Camarista Méier, não houve registro de novos confrontos na região. O policiamento segue reforçado com o apoio de outras UPPs". Fonte: Extra*
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