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Baderna: Vendedores transformam praça pública de Camaçari em feira

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Há problemas que demoram a ser solucionados por terem a habilidade de se camuflar. Eles evoluem no escuro e ampliam seu potencial danoso longe dos olhares da população, sutilmente emperrando o desenvolvimento e promovendo a desordem. Há outros, porém, que, bem menos tímidos, promovem o caos sob a luz do sol, semana após semana, sem que as autoridades competentes realizem a devida intervenção. A transformação da Praça Desembargador Montenegro em uma extensão do Centro Comercial de Camaçari (popular feira municipal) é um problema que se encaixa na segunda descrição.
Não apenas a praça que abriga a Diocese de Camaçari foi tomada pelo livre comércio de frutas, hortaliças e, eventualmente, alguma bugiganga sazonal, mas toda a região adjacente do Centro Comercial teve suas calçadas ocupadas por carrinhos de mão, caixotes plásticos, balaios de cipó, mesas dobráveis de madeira e outros tipos criativos de gôndola improvisada, todas servindo de suporte para a oferta de mercadorias variadas.
Sob a justificativa pouco convincente de que o comércio sem permissão legal que ocorre fora dos limites físicos da feira municipal facilita o acesso dos produtos para os potenciais compradores que passam pelo local, os vendedores, rendendo-se a uma atitude apelativa e contrária às normas que regimentam a atuação dos permissionários, criam uma verdadeira balbúrdia em algumas das principais vias e espaços públicos da cidade, gerando insatisfação nos transeuntes, nos motoristas e nos feirantes que, resistindo ao êxodo protagonizado pelos colegas, insistem em manter a atividade comercial restrita ao seu box de direito.
A nossa reportagem já denunciou o problema em matéria publicada na edição do mês de julho do ano passado, mas a situação só se agravou desde então. Na época, quando o volume de comerciantes e de mercadorias ocupando as calçadas e uma parte da praça era três vezes menor, a indignação da comunidade já era evidente. Atualmente, é exigida da população muito mais paciência, disposição e cautela, já que em muitos pontos o transeunte é obrigado a sair do passeio e disputar espaço com os carros na rua.
A maioria dos vendedores adotam pontos fixos em locais que consideram estratégicos. Outros aparecem de surpresa, uma vez ou outra, para tornar o cenário ainda mais exótico. Voltando a Praça Desembargador Montenegro, onde antes eles costumavam se concentrar apenas nas proximidades da faixa de pedestre, agora formam um longo e disputado corredor, passando diante da escadaria da Diocese São Thomaz de Cantuária, até a outra extremidade, a proclamar ofertas casadas e fictícias reduções relâmpagos nos preços.
Para os que têm o costume de frequentar a praça, adotando-a como cenário para uma conversa com os amigos ou simplesmente para sentar e pensar na vida observando os movimentos acrobáticos da água na fonte luminosa, o clima de feira livre no local não é bem-vindo. Eliana Gomes, 34 anos, moradora do Parque Satélite, critica a ocupação do espaço público por feirantes. “O ambiente ficou muito barulhento, bagunçado e sujo. Infelizmente, não é mais prazeroso passar o fim da tarde na praça. Isso é lamentável!”, declara.
E não é preciso parar por alguns minutos na praça para perceber o incômodo que a concentração de vendedores em local impróprio provoca. Quem apenas passa pelo local também é prejudicado pela série de obstáculos que aparecem no caminho. É o caso de Noé Araújo, 47 anos, morador da Nova Vitória. “É uma dificuldade se locomover aqui. Como não há um planejamento, uma organização, os carrinhos ficam em lugares que atrapalham a passagem. Existe o risco até de alguém se machucar ao esbarrar ou tropeçar em uma caixa dessas. Inclusive, podem ocorrer atropelamentos pois o cidadão é obrigado a passar pela rua, já que em alguns pontos a calçada fica ocupada”, alerta.
Por causa do comércio informal na praça, também ficou mais difícil para os fiéis que frequentam a Catedral se concentrarem no momento litúrgico ou para os padres celebrarem uma missa. “Também tem o problema da sujeira. A frente da igreja fica cheia de lixo”, lamentou o Pároco Valmir Miranda.
A prova de que não se trata exclusivamente de um aumento no número de pessoas praticando o comércio informal está na parte interna do Centro Comercial de Camaçari, muito parada em comparação ao intenso fervilhar nos arredores. Os corredores de acesso ficam vazios e a circulação de compradores e de vendedores também está bem menor nas áreas cobertas. Não é como se a feira tivesse crescido a ponto da atividade comercial transcender os seus limites geográficos. Está mais para uma transferência, uma insólita, sorrateira e inadequada mudança de local.
Um feirante que pediu para ser identificado apenas pelo pré-nome Ivan, experiente vendedor de hortaliças do Centro Comercial, confirma que a maioria dos vendedores que atuam fora da feira saem de dentro. “Aproximadamente 70% do pessoal que está vendendo na praça são permissionários da feira. Eu admito: tenho um carrinho lá e o meu irmão também tem. Mas nós fomos obrigados a fazer isso, pois, com a oferta dos mesmos produtos que eu comercializo ocorrendo lá fora, a venda aqui caiu muito. Tivemos que tomar uma atitude diante dessa concorrência desleal, mas eu sei que não está certo. Essa região está toda bagunçada e isso não é bom. Eu estou entre os que torcem para que esta situação seja resolvida logo”, diz.
Questionado ano passado, sobre a necessidade de um reordenamento do Centro Comercial e seu entorno, o ex-feirante e atual prefeito Antônio Elinaldo afirmou que iria buscar uma solução viável para o problema. “Posso garantir que como está não vai ficar, mas iremos restaurar a ordem sem truculência, ouvindo os vendedores, pois sei que eles estão ali por uma necessidade”, disse indicando que, para ele, o diálogo é o melhor caminho para acabar com o transtorno no centro da cidade.
Após cinco meses de uma nova gestão à frente da Prefeitura de Camaçari, a situação permanece.
Prefeitura apresenta alternativa
Em comunicado à imprensa, a nova gestão afirma que a reestruturação do Centro Comercial é uma das prioridades.
A Prefeitura diz que está construindo um calçadão para abrigar os comerciantes. Segundo o prefeito Elinaldo, o governo ainda está avaliando a melhor forma de uso do novo espaço. “Vamos analisar como será utilizado o anexo, precisamos ouvir primeiro os feirantes para chegar a um acordo e buscar o melhor caminho para resolver a situação, decidir que setor da feira deve ocupar o lugar, mas só tomaremos essa decisão depois de uma conversa com os permissionários. O que queremos é melhorar a vida dos feirantes e oferecer mais conforto aos clientes”, destaca.
Segundo a secretária de Infraestrutura, Joselene Cardim, a obra do anexo que está sendo construído no interior da feira está bastante adiantada e prestes a ser concluída. “Faltam alguns detalhes importantes que devem ser feitos ainda, mas estamos trabalhando para entregar a obra o mais rápido possível”, salientou.
A obra está sendo feita para abrigar comerciantes, com o objetivo de reorganizar o principal centro de abastecimento do município. Segundo o prefeito, a iniciativa vai ajudar a deixar a feira mais organizada e “pronta para receber as pessoas que frequentam o lugar todos os dias, oferecendo mais conforto e facilidade de locomoção”.
FONTE: NOSSA METRÓPOLE 
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