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Passageiro foi morto enquanto rezava durante assalto: 'Ô, meu Deus''

O pintor Djalma Paixão Ferreira, de 42 anos, que morreu na manhã desta sexta-feira (05) durante um assalto a ônibus na Avenida Paralela clamava por Deus quando foi atingido por um tiro nas costas. "Ele dizia: 'Ô meu Deus, Ô meu Deus' tão alto que até o motorista ouviu", disse o passageiro Ed Wesley, que estava sentado próximo à vítima. O crime aconteceu por volta das 6h, na região do Wet'n Wild, sentido Rodoviária, embaixo do viaduto que da acesso à Avenida Orlando Gomes.
A vítima, que morava no bairro de Cajazeiras 2 e estava indo trabalhar em uma obra na Estrada do Coco, segundo os passageiros, estava muito nervosa durante o assalto, que durou cerca de 40 minutos. "Ele (a vítima) estava em pé. Era evangélico e estava orando. Não vou esquecer essa cena nunca. Ele tava segurando nos ferros se tremendo todo. Parecia que ele sabia que ia morrer mesmo. Todo mundo tava nervoso. Mas ele tava demais”, afirmou  Jeferson Soares, 24 anos, trabalha como segurança e estava a caminho do trabalho.
Durante o assalto os passageiros que estavam no meio do ônibus reagiram e seguraram dois dos assaltantes. O terceiro - o único armado - estava na frente do veículo. “Eu estava sentado no fundo e acordei com o balanço do ônibus, pois o motorista estava indo rápido. Joguei meu celular no chão e mostrei a carteira, mas ele não foi pegar. O passageiro que estava em pé deu um mata leão nele aí eu também agarrei. Todo mundo subiu pra cima deles no meio do buzu", explicou Jeferson.
O motorista do ônibus Jacson dos Santos Santana, 37 anos, afirmou que o passageiro que morreu chegou a descer do ônibus ferido. “Ele estava em pé orando. Não se envolveu em nada. Quando ele foi baleado desceu e caiu do outro lado. Eu já ia levar o carro quando me disseram que tinha um passageiro desmaiado lá fora. Desci e fui sinalizar para os outros carros não passar por cima dele”.
Terror
Os  três assaltantes subiram na Vila Verde, na Estrada Velha do Aeroporto. Dois pagaram a passagem com uma nota de R$ 20. O cobrador deu o troco, eles entraram e o terceiro - que estava armado - anunciou ao motorista que era um sequestro. "Ele disse: 'Piloto, é um assalto tá ligado!? O ônibus está sendo sequestrado. Pega a Paralela, vai levar para o Detran'. Eu até questionei, mas tive que dirigir e usar minha habilidade técnica, pois não estava tranquilo. Foi o meu primeiro assalto que teve tiro", lembra o motorista.
Segundo as testemunhas, a ação dos bandidos durou cerca de 40 minutos. "O pessoal só reagiu porque eles foram violentos. Estavam xingando muito e machucaram um rapaz para tirar a corrente", comentou o cobrador do coletivo.
Os suspeitos fugiram logo após o crime. Durante o assalto, uma passageira que estava sentada na frente do coletivo desmaiou. Após acordar, ela foi retirada do local pela patroa e levada em um carro pessoal. Segundo as testemunhas, ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estiveram no local, mas não prestaram atendimentos aos demais passageiros.
Em nota, a Polícia Militar informou que o passageiro teria reclamado sobre crimes cometidos contra pessoas pobres quando um dos três criminosos atirou contra o passageiro que morreu no local. "Uma viatura da 82ª CIPM realizava abordagens a coletivos em outro ponto da Paralela e chegou ao local 5 minutos após ser acionada. A unidade realizou buscas no matagal por onde os três criminosos fugiram, mas até o momento não foram localizados", explicou a polícia. 
Perícia
Segundo o perito do Departamento de Polícia Técnica (DPT), Hugo Ribeiro, Djalma foi baleado pelas costas com um único tiro. “Foi possível constatar uma perfuração de entrada nas costas e de saída no tórax”, declarou.
Durante perícia dentro do ônibus, Ribeiro constatou três marcas de tiro no teto, mas não encontrou vestígio de sangue. “Ainda não é apontar a dinâmica da situação. O fato de não ter vestígios de sangue, não quer dizer que a vítima não tenha sido baleada dentro do ônibus”, declarou o perito, informando em seguida que outras perícias serão realizadas. 
Suspeitos foragidosO caso será investigado pela Polícia Civil. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP/BA), equipes do Grupo Especial de Repressão a Roubos a Coletivos (Gerrc), Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e Operação Gêmeos da Polícia Militar já iniciaram a busca pelos três criminosos. 
“Nossa preocupação é que os crimes contra o patrimônio migrem para homicídios”, lamentou o delegado José Nelis, coordenador do Gerrc. A polícia já tem as imagens das câmeras do ônibus para auxiliar na busca. Quem tiver informações sobre os envolvidos no caso deve ligar para a polícia através do Disque-Denúncia da SSP (3235-0000).
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