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Governo Temer reduz equipe da Lava Jato e corta verba da PF

Em nota, Polícia Federal alega que contingente foi readequado devido a ampliação das investigações | Foto: Polícia Federal / Divulgação / CP Memória
Poucos dias após completar um ano, a gestão Michel Temer reduziu, nesse período, a equipe da Polícia Federal destacada para Operação Lava Jato, em Curitiba, e contingenciou 44% do orçamento de custeio previsto para 2017. O levantamento sobre os cortes promovidos pela gestão Temer sobre a Lava Jato foi divulgado neste domingo pelo jornal O Estado de S.Paulo.
Conforme a publicação, é o primeiro corte expressivo no efetivo de investigadores desde o início da operação, há três anos. A Lava Jato, que já levou megaempresários e políticos de diversos partidos à cadeia, começou a ameaçar, nos últimos dias, o presidente da República.Até o fim de 2016, nove delegados federais integravam a força-tarefa, em Curitiba. No início deste ano, o número foi reduzido para quatro. A equipe cuida, exclusivamente, de cerca de 180 inquéritos em andamento relativos à operação. Conforme apuração do jornal, já há articulações políticas para acabar com a atuação exclusiva desses delegados para a operação.
O número total de agentes envolvidos, segundo a reportagem, também caiu no decorrer da gestão Temer. O efetivo total chegou a ser de quase 60 policiais – entre delegados, agentes e peritos. Hoje, não passa de 40, e sem atuação exclusiva.
No que se refere ao contingenciamento de verbas da Polícia Federal, o levantamento do jornal mostra que a redução ocorreu na ordem de 44%. Os cortes atingem toda a corporação, inclusive os setores envolvidos na investigação da Lava Jato em Curitiba, Brasília e Rio.
A reportagem do Estadão ainda lembra que a Operação Patmos, deflagrada na última quinta-feira, tendo entre os alvos o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), explica a suposta intenção do atual governo em interferir na Lava Jato. Tanto Temer quanto Aécio são investigados por tentativas de obstrução à Lava Jato através da compra do silêncio de investigados. O presidente e o senador foram delatados pelos donos do Grupo JBS, Joesley e Wesley Batista, que gravaram conversas dos investigados, com tutela da PF e do MPF.
Resposta
Em nota oficial, divulgada pela PF cerca de 13 horas depois da publicação da matéria, a instituição salienta que, diante da ampliação das investigações em diversos estados, o contingente de policiais “tem sido readequado”. Na nota, a PF esclarece, ainda, que a Superintendência do Paraná também considera o efetivo adequado.
“Estancar a sangria”
As suspeitas mais fortes sobre as intenções de Temer e dos aliados em minar a operação Lava Jato começaram há um ano. Em 23 de maio de 2016, a Folha de São Paulo divulgou a transcrição de áudios de uma conversa entre o ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Na gravação, feita nas semanas que antecederam o impeachment de Dilma Roussef, Jucá sugere um pacto para “estancar a sangria” representada pela Lava Jato. A operação investigava tanto Jucá quanto o empresário.
“Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, disse Jucá, na gravação. No diálogo, Machado respondeu que era necessária “uma coisa política e rápida”. Na sequência, Jucá completa: “Eu acho que a gente precisa articular uma ação política”.
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