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Comércio sofre dez assaltos em 19 dias

Era uma noite como outra qualquer para os três funcionários de uma franquia de lanchonete em Salvador, entre eles uma mulher grávida. Com movimento fraco e clima aparentemente pacato na rua, eles se preparavam para fechar o estabelecimento, por volta das 21h20.
Foi  quando foram surpreendidos por um homem que entrou na loja armado, anunciou um assalto e, em cinco minutos, levou uma televisão e todo o dinheiro que estava no caixa. O susto foi tão grande que a funcionária grávida entrou em trabalho de parto e acabou dando à luz a um bebê prematuro, que foi internado em uma unidade da rede pública de saúde. 
O caso, que já impressiona pelo drama enfrentado pela funcionária, é ainda mais surpreendente por ter ocorrido no Rio Vermelho.
Considerado o bairro mais boêmio de Salvador, marcado também por tranquilidade em algumas ruas - por conta do movimento -, o Rio Vermelho vem sofrendo, nos últimos meses, uma onda de assaltos e arrombamentos, como o narrado acima, que ocorreu no último dia 27. As ocorrências, cada vez mais frequentes, preocupam moradores, empresários e  quem trabalha lá. 
Dez casos em um mêsSomente no último mês, pelo menos dez estabelecimentos foram assaltados ou arrombados na madrugada, quando já não há funcionários ou seguranças nos locais, segundo relatos de funcionários e empresários. Segundo a Polícia Civil, entre janeiro e o último dia 22 de abril, foram registradas 30 ocorrências de roubos e arrombamentos no Rio Vermelho e Ondina, áreas de atuação da 7ª Delegacia (Rio Vermelho). Os nomes dos estabelecimentos não foram revelados para evitar que a exposição iniba o registro de ocorrências. 
O medo tem tomado conta dos empresários, que já estudam mecanismos para inibir a atuação dos bandidos. Um deles é a contratação de uma empresa privada de segurança, medida que já tem a adesão de cerca de 15 empresários. A apreensão é tanta que todos os donos de estabelecimentos e funcionários ouvidos pela reportagem não quiseram ser identificados, por temerem a ação dos bandidos. Uma gerente de um restaurante no bairro já chegou a ser ameaçada de morte por um criminoso. 
Dois assaltos, inclusive, chamam a atenção pela ousadia dos bandidos: o Boteco do Caranguejo fica próximo à 12ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Rio Vermelho), e um restaurante na Vila Caramuru, ao lado da 7ª Delegacia. 
FarmáciasSegundo dados da polícia, as farmácias são os principais alvos dos criminosos. Uma delas, localizada na rua Oswaldo Cruz, foi assaltada cinco vezes desde janeiro, sendo duas delas nos dias 20 e 22 de abril. 
Segundo o delegado Antônio Fernando do Carmo, titular da 7ª Delegacia, o modus operandi dos bandidos é similar: costumam chegar de carro, armados, anunciam o assalto e levam dinheiro em caixa. Na semana passada, a polícia prendeu dois homens integrantes da quadrilha responsável pelo assalto ao Boteco do Caranguejo. Outros três assaltantes que fariam parte do grupo estão foragidos. 
Segundo o delegado, o grupo é suspeito de praticar outros assaltos a estabelecimentos da região. “Estamos ouvindo testemunhas e algumas delas já identificaram eles”, diz. Antônio Fernando relata que nem sempre os assaltantes atuam juntos.
“Às vezes, só um ou dois deles vão aos locais e fazem o assalto. Isso depende do tipo de estabelecimento”, afirma, ressaltando que os outros três integrantes já foram identificados e estão sendo procurados pela polícia. 
Também foi identificado o suspeito de praticar os arrombamentos que acontecem durante a madrugada. A suspeita do delegado é que apenas um homem seja responsável pela maioria dos arrombamentos. 
Segundo relatos de empresários, com base em imagens de câmaras de segurança, o arrombador utiliza um carrinho de mão para carregar os objetos que consegue furtar. “Nós já identificamos, sabemos quem é. Inclusive, ele já foi preso por causa disso e, ao sair, voltou a fazer”, relatou o delegado Antônio Fernando, responsável pela área.  
Medo e desconfiança na Justiça inibem queixasOs números registrados na delegacia não representam a realidade, pelo menos segundo relatos de empresários e funcionários ouvidos pelo CORREIO. Por medo ou por não confiarem na Justiça, muitos acabam não prestando queixa, o que provoca uma subnotificação.
A ideia de contratar uma empresa privada de segurança já tem 15 adeptos, está em fase avançada e deve ser executada em breve. Um dos líderes do movimento ouvido pela reportagem não quis ser identificado, mas revelou que a medida foi pensada após o aumento no número de assaltos e arrombamentos percebido nos últimos meses. “Praticamente todos os empresários do bairro já tiveram suas lojas roubadas ou arrombadas. É uma triste realidade”, disse. Ele, por exemplo, teve seu estabelecimento arrombado em junho do ano passado, o que resultou em prejuízo de R$ 20 mil somente em equipamentos roubados na madrugada.
Após o arrombamento, ele investiu em diversas ações: contratou um segurança, colocou câmeras e implantou cerca elétrica. Depois disso, não foi mais alvo da ação de bandidos: “Não precisa um segurança para cada estabelecimento. Mas um grupo atuando em pontos estratégicos vai ser muito efetivo”. 
A dona de um restaurante na Praça Brigadeiro Faria Rocha concorda com a medida de união dos empresários. Ela, que teve sua loja assaltada à luz do dia, acredita que seguranças atuando em diversos pontos do bairro pode inibir a ação dos bandidos. 
Próximo dali, na rua Oswaldo Cruz, uma padaria foi assaltada por volta das 15h em 26 de abril. Ao lado, num pequeno mercado, os funcionários receberam desconfiados a equipe do CORREIO. Ainda assustados com o assalto ocorrido há duas semanas, trabalham com medo. 
Anteontem, foi a vez de uma lotérica no Bompreço do bairro ser alvo de dois bandidos. Eles levaram R$ 700 e arrancaram seis das sete câmeras de segurança do estabelecimento, que nunca havia sido roubado.
Morador do bairro, o autônomo Carlos Monteiro, 42, conta que não preocupam apenas os assaltos e arrombamentos a estabelecimentos. Segundo ele, as pessoas também são vítimas frequentes. “Meu filho foi assaltado três vezes na rua só esse ano, duas delas durante o dia. Perdemos a tranquilidade do Rio Vermelho”, relata. 
Sobre a subnotificação, o delegado Antônio Fernando, da 7ª delegacia, diz que o não registro das ocorrências prejudica o trabalho da polícia. “Quando as pessoas trazem os casos à delegacia, nós conseguimos mapear as ocorrências e planejar nossas ações”, explica. 
PM diz que realizou 70 prisões na regiãoEm nota, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que, entre janeiro e 2 de maio deste ano, realizou 70 prisões em flagrante na região do Rio Vermelho. Além disso, apreendeu seis armas de fogo e um simulacro e conduziu 190 pessoas às delegacias. A PM também afirmou, na nota, que recuperou 19 veículos e flagrou 21 ocorrências com drogas neste período. 
A corporação disse também que realiza rondas com viaturas, patrulhamento a pé com a tropa especializada (Beptur), motopatrulhamento, operações e abordagens, além de uma base móvel que fica posicionada em locais estratégicos do bairro do Rio Vermelho. No local, o policiamento é coordenado pela 12ª CIPM (Rio Vermelho). 
Uma das principais queixas de empresários, funcionários e moradores do Rio Vermelho é que não vêem mais viaturas da PM em pontos estratégicos do bairro, como na praça Brigadeiro Faria Rocha e na região do supermercado Bompreço. Isso, na visão deles, ajudava a inibir casos de violência no bairro. Além disso, dizem que a frequência de viaturas e policiais à paisana tem diminuído. 
Por sua vez, a polícia informou que, na parte preventiva das ações, também entre janeiro e 2 de maio, foram abordadas 12.864 pessoas, 589 estabelecimentos comerciais, 665 pontos de ônibus e 5.771 veículos. Ainda na nota, a PM disse que Conselho Comunitário Social de Segurança do bairro e a 12ª CIPM são parceiro e desenvolvem ações para aprimorar a segurança. 
Uma delas é a capacitação de porteiros e vigilantes de prédios residenciais e comerciais por policiais militares. O público atendido é instruído a acionar a PM imediatamente no momento em que identificar uma situação suspeita, estreitando assim o vínculo da corporação com a comunidade. 
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