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Demitido, pernambucano dribla crise vendendo geladinho sobre patins


Tecio Lagos trabalhava como abastecedor em um supermercado e teve o destino de muitos brasileiros na famigerada derrocada econômica: demissão. Da frase que virou clichê nos outdoors pelo país, tirou a coragem de “meter a cara”, como ele mesmo define sobre a decisão de vender geladinho, ou 'dudu', como é conhecido em sua cidade.

“Eu li: ‘Não fale em crise, trabalhe’. Três dias depois de ser demitido, já estava na rua, em cima dos patins, vendendo dudu”, relembra. A receita de família do líquido doce congelado, armazenado em pequenas porções plásticas, há quatro meses mudou a rotina do recifense. Ambulante, a bordo de seus patins, com uma caixa térmica, outra de som, portátil, e um microfone que anuncia aos quatro ventos: “Dudu é um real”. Aos 23 anos, Tecio viu sua crise começar e terminar rapidamente.

Com sorriso no rosto e agilidade ao trafegar entre os carros, vende por dia, em média, 250 dudus, que deixam sua bolsa pesada de tantas moedas. Tem de morango (quase 75% da produção), uva, amendoim, coco e graviola. De segunda a sexta, marca ponto na Avenida General Mac Arthur, continuação da Rua Antônio Falcão, na Imbiribeira. Lá, percorre, normalmente, cerca de três quarteirões, utilizando área e velocidade estranhas aos demais vendedores de semáforo. “Já tinha o hábito de andar de patins e decidi usar isso de alguma forma. E dudu é algo que não é mais tão comum de encontrar na rua, mas todo mundo conhece e comprava na escola”, justifica.

Dia após dia, vai reunindo pequenas vitórias. Da fidelização dos clientes ao orgulho de “nunca ter voltado com um dudu sequer para casa”. A soma das vitórias torna inevitável sonhar. Já tem uma logomarca que em breve estampará a camisa, o isopor que carrega nas ruas e a caixa térmica que fica em uma calçada com o estoque do dia.



“Minha marca é a Dudu in Line, a logo vem com um dudu e uma rodinha de patins. Pretendo, daqui a um ano, ter uma empresa, com pessoas trabalhando para mim. Não só em semáforo, mas também na praia, no Marco Zero e outros lugares de movimentados”. O trabalho árduo debaixo do sol, das 9h às 15h, nos últimos quatro meses – devidamente protegido pela camisa UV e pelo fator 60 do protetor – deu um novo rumo à família de Tecio, atualmente restrita a esposa e dois cachorros. “Minha renda melhorou, minha vida deu uma folga. Agora estou prosperando, mais até do que imaginava. Pretendo, primeiramente, fazer uma reforma boa na minha casa”, conta.

Perdas, somente de peso. Em pouco mais de quatro meses no corre-corre dos patins, são seis quilos a menos. Entre os ganhos, além do dinheiro, a lição de saber respeitar quem trabalha nas ruas. “Quando a gente pensa em quem trabalha no sinal, normalmente achamos que é pobre coitado ou bandido. Mas, na verdade, somos pessoas trabalhadoras. Não temos o conforto de um escritório, mas temos salário e família. E às vezes até ganhamos mais do que quem está no escritório”, brinca. Mesmo à vontade nas ruas, considerando a disposição que Tecio investe no trabalho dependente apenas de seu corpo, não seria surpresa descobri-lo em escritório próprio, tendo os patins apenas somente como diversão.
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