Casal do Rio de Janeiro contraiu vírus zika e chikungunya ao mesmo tempo - Camaçari Aquitem - O seu portal de notícias de Camaçari

Casal do Rio de Janeiro contraiu vírus zika e chikungunya ao mesmo tempo


“Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. Como nos votos de casamento, Carla Ferreira e o marido, Adson Aguiar, adoeceram ao mesmo tempo durante semanas, em maio do ano passado. No corpo, dores intensas causadas pela chikungunya. No sangue, tinham ainda o vírus zika. Casos de dupla infecção, revelados por um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), evidenciam a dimensão das doenças transmitidas pelo Aedes aegytpi na cidade.

— Para uma pessoa contrair dois vírus diferentes transmitidos pelo mesmo mosquito é preciso que haja muita, muita infestação. E também muitos vírus em circulação. Não se trata de uma raridade médica, mas de uma situação recorrente e a ponta de um iceberg de epidemias que não foram embora. Isso mostra bem a gravidade da situação — afirma Luis Roimicher, coordenador do estudo e do Núcleo de Pesquisa em Artrite da universidade.

A dupla infecção do casal foi confirmada por exames moleculares de PCR realizados pela equipe de Amílcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ. Outros três casos de infecção concomitante também foram identificados. Num dos mais graves, uma mulher que já sofria de hanseníase — o Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda não controlou a doença — contraiu zika e chikungunya.

"Se os casos aumentarem muito, não há condições de atendimento. Já seria difícil para qualquer sistema de saúde. Com as dificuldades que atravessa o Rio, se torna inviável", lamenta Roimicher.
— O caso é particularmente sério porque ela já tinha uma lesão neurológica causada pela hanseníase. Só descobrimos a infecção simultânea porque essas pessoas aceitaram participar de um estudo. Então, houve uma análise molecular mais sofisticada, que é exceção e não regra. São dramas pessoais provocados por vírus que, há quatro anos, não existiam no Brasil — observa Roimicher.

Os sintomas de zika e chikungunya juntos se misturam e se tornam quase impossíveis de distinguir. Adson Aguiar, de 40 anos, gerente operacional de condomínios, já tinha apresentado sinais de zika em 2015. Sua mulher, Carla Ferreira, de 37 anos, assistente administrativa na Cidade Universitária, sequer tinha ideia de que tinha tido o vírus.

— Em casa nunca tivemos problemas com mosquito, não tem focos lá. Mas nas ruas próximas ao nosso condomínio há muito lixo. Eu circulo por toda a cidade e vou a lugares onde há mosquito demais. No Fundão, onde a Carla trabalha, também tem. Você cuida de sua casa, mas não pode cuidar da cidade. Realmente não sabemos onde foi — diz Adson.
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