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Espetáculo 'Paixão de Cristo' completa 50 anos


É no meio do sertão semiárido que um Jesus ocidentalizado caminha pelo Palácio de Herodes, rei de Israel, ao lado de seus sacerdotes. Sob um clima de tensão, recusa-se a irromper um milagre conforme o pedido do rei, que, irritado com a desobediência, manda o profeta de volta a Pôncio Pilatos, procurador de Roma. Nesse momento, o público se levanta e segue até o quinto dos nove palcos onde é encenada a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. É a hora do tão aguardado julgamento do protagonista, cujo final já é, sem dúvida, o maior spoiler de que se tem notícia.

Há 50 anos, essa mesma história, fruto de um conjunto de escritos bíblicos conhecidos como Novo Testamento, é contada sobre os palcos do Teatro Nova Jerusalém, na peculiar cidade de Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco. A cada edição, são cerca de 70 mil espectadores ao longo da curtíssima temporada – este ano, de 8 a 15 de abril.

À frente da empresa que, sem fins lucrativos, monta o espetáculo móvel em nove palcos diferentes, espalhados pelos nada modestos 100 mil metros quadrados de área do Teatro Nova Jerusalém, o maior ao ar livre do mundo, Robinson Pacheco ajuda a coordenar uma equipe de 50 atores, 400 figurantes e centenas de outros profissionais responsáveis por contar, por 2h30, os últimos dias na vida de Jesus Cristo.

Nas ruas


Antes de tomar as atuais dimensões, a Paixão de Cristo era encenada nas ruas de terra da vila de Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus, sob o nome de Drama do Calvário. Epaminondas e Sebastiana Mendonça, avós de Robinson Pacheco, foram os mentores da peça. “Minha avó gostava muito de teatro, de arte”, diz, enquanto o avô, comerciante, viu na ideia uma chance de atrair gente à cidade e, com isso, movimentar o comércio.

E não é só na coordenação do espetáculo que estão os traços da veia artística da família de Robinson. Para além de novos cenários e figurinos, as novidades de 2017 incluem a inauguração de dois monumentos logo na entrada do teatro. Um deles homenageia Plínio Pacheco, pai do diretor e mentor da Paixão de Cristo e do Teatro Nova Jerusalém; e seu fiel companheiro, o operário Cazé, que por 40 anos trabalhou e ensinou a arte de transformar pedra bruta em angular para erguer o espaço. O outro é uma réplica de Pietà, da obra-prima de Michelangelo. mas com os rostos de Diva e Luiz Mendonça, mãe e tio de Robinson, que viveram por anos os papéis de Maria e Jesus na época da Fazenda Nova.

Além do espetáculo


A 200 quilômetros do Recife, Brejo da Madre de Deus ganhou fama por causa da visibilidade da Paixão de Cristo, é verdade. Mas a pequena cidade no agreste nordestino, de aproximadamente 48.500 habitantes, reserva outras peculiaridades e atrações que podem valer a passagem por ela, mesmo fora da Páscoa, a começar pelo próprio Teatro Nova Jerusalém, aberto à visitação durante o ano inteiro.

No centro histórico, além de casarios do século 19 e igrejas que remontam ao século 18, quando Brejo da Madre de Deus foi povoado por portugueses, encontra-se ainda o Museu Histórico da cidade, com acervos arqueológicos e paleontológicos. O espaço está em reforma, mas, segundo a irmã de sua fundadora e atual responsável pelo atendimento do espaço, Dona Margarida, a previsão é reabrir em junho deste ano – mas ela pede, por via das dúvidas, para confirmar no 81-3747-1259.
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