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À espera da delação do fim do mundo, políticos vivem dias de medo e tensão

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Brasília está em compasso de espera. A chamada “delação do fim do mundo” está para sair a qualquer momento do Supremo Tribunal Federal (STF), com potencial para sacudir a Praça dos Três Poderes. Na quinta-feira (9), a informação sobre o volume das delações da Odebrecht já circulava em redes sociais com uma pitada de rebuliço– jornalistas se organizaram para levar ao STF ao menos um HD externo com até 2 terabytes para copiar os documentos a partir de uma eventual quebra de sigilo.

O clima é de apreensão máxima no Congresso Nacional e também no Palácio do Planalto com o conteúdo das 77 delações de executivos e ex-executivos da empreiteira feitas no âmbito da Lava Jato. A expectativa não é sem fundamento: desde a homologação dos acordos de colaboração premiada pelo STF, no fim de janeiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prepara uma lista com nomes de políticos que na visão dele precisam ser investigados.

Extraoficialmente, corre que Janot implicará cerca de 200 nomes filiados a partidos políticos de variadas colorações. E, ao pedir a abertura dos inquéritos ao STF – já que somente a Corte pode autorizar a investigação de políticos com foro privilegiado –, há ainda outro provável desdobramento: a quebra do sigilo das delações, ou da maior parte delas. E até o senador Romero Jucá (PMDB-RR), ciente da iminente abertura das delações, passou a defender a “integral divulgação” dos depoimentos – ele é investigado na Lava Jato.

Tensão a mil


Os primeiros sinais públicos da tensão em Brasília começaram já no início de fevereiro, com a posse de Moreira Franco na cadeira de ministro de Estado, apenas dias após o nome do peemedebista ter aparecido em trechos de delações vazadas à imprensa. Na Esplanada dos Ministérios, Franco ganhou foro privilegiado no STF, escapando das mãos do juiz federal Sergio Moro, ágil nos despachos.

Em meados de fevereiro, o presidente Michel Temer veio a público para estabelecer uma espécie de “rito da degola”: ministros citados nas delações da Lava Jato serão afastados apenas se houver denúncia da PGR à Justiça – e de forma provisória. Demissão mesmo, segundo o peemedebista, só se o Supremo torná-los réus. “As denúncias não vão demorar desta vez, tamanha a materialidade [das suspeitas]”, destaca um atento observador dos trâmites em Brasília, ao comparar com a primeira “lista de Janot”, de março de 2015, que envolveu mais de 50 políticos, mas rendeu até agora cerca de 20 denúncias.

A ideia de Temer ao estabelecer a regra foi tentar se antecipar a possíveis cobranças por demissões, a partir de uma provável avalanche de relatos envolvendo aliados. Nos corredores do Planalto, contudo, há quem aposte que o “rito da degola” não se sustentará a partir do forte impacto previsto com a publicidade das delações. E os afastamentos temporários de ministros podem forçar o presidente a redesenhar a Esplanada dos Ministérios.

Além de adotar medidas concretas para tentar se proteger da “delação do fim do mundo”, o Planalto também se empenha em disfarçar a tensão no discurso para a plateia. Uma das estratégias é colocar a agenda econômica na linha de frente. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi escalado para uma maratona de reuniões na Câmara dos Deputados para acelerar a reforma da Previdência.

Outra estratégia é se agarrar ao Legislativo, até a turbulência passar, embora ninguém queira arriscar um desfecho. Auxiliares de Temer e parlamentares têm repetido à exaustão que a Lava Jato seria “assunto do Judiciário”, incapaz de paralisar o debate no Legislativo e do Executivo em torno da “prioritária pauta econômica”. A intenção é preparar o terreno: “vida que segue”, a despeito do impacto das delações.
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