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No Rio, uma criança é atingida por bala perdida a cada duas semanas

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As roupas e bonecas de Bia ainda ocupam as gavetas e prateleiras do quarto vazio. Diana Duarte da Cruz, de 27 anos, não teve coragem de tirá-las de lá. Toda vez que olha para os objetos, lembra os últimos momentos que passou com a filha, Ana Beatriz Duarte e Sá. A menina morreu aos 5 anos, em março do ano passado, após ser atingida por uma bala perdida enquanto brincava com amigas na festa de aniversário de uma tia, numa casa vizinha a que morava com a mãe, no bairro Santa Catarina, em São Gonçalo. Após a morte, Diana parou de trabalhar e só conseguiu suportar a dor com a ajuda da fé.

Um levantamento feito com base em dados da Polícia Civil revela que, desde janeiro de 2015, 87 crianças foram atingidas por balas perdidas no Rio — ou seja, a cada duas semanas, uma pessoa de até 14 anos é vítima no estado. Ao todo, 18 morreram.

Disparos como o que matou Bia, direto na cabeça da menina, têm o maior índice de letalidade: das 18 crianças mortas por balas perdidas, 12 foram atingidas no rosto ou na nuca. Os outros seis foram baleados na barriga ou no peito. Entre as crianças que sobreviveram ao ferimento, a maioria — 20 no total — foi alvejada nas pernas.

Este ano, duas crianças foram vítimas de balas perdidas no estado. Rebeca de Jesus Barbosa, de 3 anos, foi atingida numa comunidade em Angra dos Reis, na Costa Verde, na noite de 20 de janeiro. A menina sobreviveu ao ferimento. Já Sofia Lara Braga, de 2 anos, foi baleada um dia depois enquanto se divertia no parquinho de uma lanchonete em Irajá, na Zona Norte do Rio. Ela não resistiu.

Durante o período pesquisado, as duas vítimas não fatais mais novas tinham apenas 9 meses: uma delas foi ferida no Morro do Adeus, em Bonsucesso, na Zona Norte, e outra no Jardim Canaã, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A maior parte das crianças, entretanto, tinha de 11 a 14 anos quando foi atingida — foram 34 nessa faixa etária, 39% do total.
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